Caminhada

De repente a neblina com uma garoa que cortava o rosto

Tomou conta da vida.

Eu tive que me esconder no abrigo mais próximo

Onde buracos permitiam sentir essa indesejada brisa.

Brisa que pouco a pouco apaga a chama que me aquece.

 

Procurei quem abraçar,

Mas aqui não há nem em quê se apoiar.

Está tudo embaçado,

Exceto em uma lacuna do vidro da janela

Onde eu vejo o sol se digladiando contra as nuvens para brilhar.

Todos os outros estão protegidos em suas estações preferidas,

Sem precisar manter chamas acesas,

Porque a linearidade é a única certeza que têm.

 

A incerteza do dia de amanhã alimenta o meu medo,

E a coragem se torna o único artifício que me resta.

Andarei sozinho nesta noite fria,

Sem me agasalhar;

Eu não posso esperar por outras estações.

 

O conforto da linearidade me fez consciente do que é o tempo.

Ele é o fenômeno natural indesejado

Que alastra tudo que não tem estrutura de suportá-lo

E bonifica os Deuses que o manipulam.

 

Aventurar-se nesse clima não é para os fortes nem para os fracos,

É para os leves.

Descartarei todos os meus ganhos,

Porque os leves flutuarão e serão guiados pelo vento até onde não tenha mais neblina,

Somente um céu sem nuvens.

Mas não vou almejar alcançar as estrelas,

Por elas serem intocáveis e eu apenas  um espectador de sua beleza.

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