Arquivo mensal: junho 2014

Pedra de Selva

Vida que corre a milhão

Te faz escolher uma direção

Que pode ser a linha reta

Ou se aventurar na contramão

Onde vários batem de frente

E seguem outra direção

Que levam a túneis sem iluminação

E o isqueiro vira sua visão

 

Na calçada caminho sentindo o chão

E a cada buraco que flagro

Eu não tento nem pôr tampão

Pelo motivo disso ser em vão

Pular-te-ei

Ou cairei na escuridão do calçamento

Felizmente ainda sou humano

 

Sob o sol escaldante do meio dia

Na São Paulo que tem o coração de pedra

Sigo observando as faces que não demonstram empatia

Nem por elas mesmo

Ou para quem lhes dá bom dia

 

Esse vício de ser frio

À mim não contagia

Porque o dia está lindo

E meu rumo é partir

 

Viajante de pensamentos mirabolantes

Eu não tenho um lugar

Estou onde vida é o que há

 

Aqui fora eu ando protegido não com ilusão

Apenas com meu instinto de rua apurado

 

Minha felicidade não se encontra em dizer que tem

Um monte de gente ao lado sorrindo

Da vaidade que fabrica o desdém

 

Como veículos na avenida

Meus pensamentos encontrarão um lar 

Ou harém 

Que brotarão ideais

Porque sozinho é onde o pensamento se faz

 

Transeunte de ruas vazias

Observo as aparências que ditam os dias

“Tenha mais do que tem,

E menos do que precisa”

 

Mas viro a esquerda e sigo caminhando

Com meus próprios passos

Sem Máscara

Na madrugada sendo iluminado pela luz da lua

Vejo sombras que se movem

Sem um objeto que as projetam

Mas como elas não me ofuscam

Eu continuo seguindo em linha reta

Porque meu destino

É ser banhado pela luz da vida que iluminará meu coração

 

E que a cada batida

Não seja de sentimentos vãos

Já que estes tem o intuito

De transformar o real em simulação

 

À mim não haverá quem salvará

Mas pelo amor tentarei trazer a cura

Da alma que há muito tempo tempo foi silenciada e mascarada,

Tendo os pensamentos roteirizados

 

O amor não está apenas dentro de uma união

Ele também está na melodia

Que trilha nossos dias

Onde cada cifra fica mais bonita

Pelo tom que vibra

 

Não cabe às minhas palavras

Mudar o que já está feito

Mas somente nelas que

Consigo transmitir aquilo que capito;

E trazer à tona a realidade que convivo

A poesia é uma simples maneira de se expressar

Porém quando ela foi elitizada

Desencadeou uma renúncia em massa da alma

Fazendo gente acreditar que pensar

Virou mania de louco

Achando como alternativa o escândalo

Porque a sensibilidade foi cegada

E na escuridão

A beleza das palavras virou negação

 

A euforia que foi colonizada pelos corações gelados

Apagou a chama de esperança dos libertados

Que vivem fora de gaiolas procurando inovação

Com a ilusão do desejo de ter as chaves da gaiola nas mãos

 

A imagem de segurança que passa uma prisão

Muda a percepção

E mostra alegorias

Que desgastam o que é ser

 

Vivo vagueando por aí

Descobrindo o que é possível sentir

Não irei atrás de celas…

Porque a vida já é uma prisão que não tem como sair

 

Choque

Uma tormenta sem força

Causou a devastação que,

Por um momento,

Abalou minha compreensão

 

Como será possível dizer que o Declínio virou evolução?

Em que vale mais corpos no chão do que vidas que podem trazer salvação!?

 

E a fé que no progresso havia

Virou apenas mais outra forma

De se conseguir mordomias

 

Fazendo os pensamentos em demasia

Se transformarem em alegorias…

 

Seres humanos que quererem transformar

A realidade torpe em fantasia

Brincam o tempo inteiro de serem artistas

 

Mas a vida nem sempre é um com final feliz;

Muitos com sorrisos até as orelhas

Mostram o que realmente é ser infeliz