Arquivo mensal: agosto 2014

É o que há

Será que eu fiz mal a alguém?
Não lembro bem.
Me martirizam
Se eu não falar somente bem
Sobre algo que não está bem.

Percebi palavras que tem o poder de entorpecer
Transfigurar que o quê se vê
É além daquilo que está à mercê,
E mesmo assim aceitam sem ver.
Verdades incontestáveis?
São fragmentos de raciocínios que lançaram poder
Sobre quem não teve a audácia de ceder
Para assim reconhecer
Que sua identidade não diz quem é você
Já que até mulher homem consegue ser

Pratico humanidade
independente de ideologia,
Movo-me pela vida
E busco quem quer viver em demasia.
Atravessar barreiras de engenharias
Propostas por maniqueístas.
Nadar através dessas Barreiras
Sentindo novas brisas.
E se com respeito você tudo conquista
Vem comigo navegar vendo essa vista:
As estrelas desaparecendo do Céu
E o nascer do Sol revitalizando a nossa subida.

Horas Comerciais

Pessoas entram se batendo nos vagões do metrô

Procurando algum espaço que sobrou

Para ter o mínimo conforto para irem onde for.

 

Cidade no ápice do horário de pico.

A hora nossa é disputada entre dois vícios:

Se distrair da rotina

Ou se entupir de cafeína.

Mais sem vida ainda

São aqueles que em poucos minutos têm de conseguir

Energias para o resto do dia.

Esses sim sabem qual é o veneno da vida.

 

Desde cedo aprendendo a pensar em horários

Esquecendo de pensar a cada verso criado…

Mas que verso?

As palavras devem apenas virar comércio

Não uma forma de arte aquilo que a mente capta.

Assim querem que você faça:

Mostrar que sua felicidade se resuma em pequenas ninharias

Como casas longe dos suburbanos

E vinhos que não são de terceira linha.

 

As pessoas estão sendo comercializadas,

E não falo apenas do tráfico ilegal,

Também falo daquele “legal”,

Em que sorrisos falsos vão pôr a ideia 

De que você deve se vender por um real

E trabalhar feito um animal.

E como tudo é vaidade,

Dirão que você é adestrado.

Na sua esperança de auto suficiência,

Poluirão seu manancial,

Que tem a capacidade de criar peixes

Que vão te alimentar.

 

A venda das horas do seres humanos 

É a maior transação que se tem notícia.

Cada pessoa é forçada a fazer fortuna

Para aquelas que controlam suas rotinas.

O trabalhador que trabalha mais

Ganha muito menos que aqueles que costumam cheirar com notas de cem

Que depois vão na TV dizer que você, já exaurido, tem que dar ainda mais.

 

Nessa poesia estou vendendo momentos também

E o único pagamento que quero é tê-los como ouvidos

Para o meu pensar não ser subtraído 

E transformado apenas em outro canto iludido.

 

Os senhores das horas são os maiores ladrões de nossa geração,

Conseguiram até fazer entender que uma plantinha vai matar você.

Criando uma cultura em que se torna crime vender,

Mostrando o quão contraditório esse sistema consegue ser.

 

As horas passam,

Os dias voam,

Porém os anos viram eternidade.

A maior parte do seu tempo deixa de ser seu,

E se torna mais outra mercadoria no mercado de horas.