Arquivo mensal: setembro 2014

Expressão

Expressão não tem expressado o que quero falar.
O meu sentimento tem produzido tanto exemplar
Que palavras vem em par, com sinônimos que não levam a nenhum lugar.
Já tentei até palavras que me tiram o ar,
Porque o ar da sua boca quero respirar,
E sem nenhuma palavra dialogar,
Para entendermos os sinônimos do verbo amar.
Gosto de falar muitas palavras porque não me diminuo naquilo que dizem que é amar,
Vivo só pelo abraçar bem forte que vai nos conciliar.

Ouvirei também as palavras suas que me farão escutar
Sua beleza se transformar e mais bela você ficar.
Conheço tantas palavras que já aprendi até como não falar,
Diga me então com o coração porque ainda estais a me escutar.
Será que por algum acaso você realmente escutou o que quis te falar?
Isso eu não saberei interpretar,
Então nesse caso será que você vai me beijar?

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Personalidade Indulgente

Conheci demasiadamente a tristeza
Pondo assim a felicidade do avesso.
Cantei e me apaixonei pelo silêncio,
E esse me pôs na minha maneira de existir.

Me mantenho calado porque sou um abado,
E falo apenas quando eu sei sobre a sentença
Então não me intervenha
Se o que eu mostrar
For a penitência.

Se ainda vivo
Não penso em morte,
Credito minha existência a sorte.
Mas mesmo assim não sou supersticioso.
Conheci deuses e suas fascinantes ideologias
Mas a letargia
Me deixou sem essa perspectiva,
Porque abaixo deles o que mais vejo é agonia.

Por conhecimento acabei almadiçoado
Porque eu posso perceber quando estou errado.
Percebi em mim uma aura indomável:
Um saber do ser enjaulado
Do animal que late quando ameaçado
E chora quando machucado
E depois morde o cadeado.

Mas fora dessa alegoria
Ainda há um sistema que respira
E inspira
Em que o vento certo me reanima para continuar tendo em vista
Que minha vida não seja resultado só de uma vigília.

Dopamina

Excesso de realidade entorpece
Te faz inerte
De buscar aquilo que te fortalece.
Conspirar contra a teoria
É o que não transmuta
Aquilo que não muda

O espaço é tridimensional
E por isso até as verdades podem ter outro ângulo.
Olhe junto a consciência
De que se sabe onde caminha
Mas não se esqueça de tapar suas narinas
Para não ficar maquinado de uma alta dose de dopamina
Que veio inserida pela dinastia
Que prega a defesa da beleza
Ante um disparate de incertezas
Que mistificam a essência
De uma realidade intensa
Jogando para debaixo da terra
Sua verdadeira vivência.

Depois da realidade está o abstrato
Onde a vida é um outro retrato
Que pode ser pintado, moldurado
Com seus próprios traços.
E se o ultraje te descaminha neste espaço,
Ande descalço para sentir o calor do asfalto
Para descobrir onde foi aprisionado o seu pássaro.
Ele alçará voo e te levantará
Acima daquilo que quer te deturpar.