Arquivo mensal: dezembro 2014

Metamorfose

Me tornei um leito duro para quem em mim repousas.
Eu não desejo que o outro caia ante a febre hegemônica
Da qual não tem mais cura
Para a dúvida em que você perdura.
Não a aniquilarei
Só vou pôr a pergunta,
E não te responderei.
E se desde cedo tu não aprendeu
Sobre o seu Eu
Qual será o seu papel ao lado do meu?

Comecei a viver só para mim.
E aqueles que vão me ajudar a rir,
Estarão comigo para onde eu ir.
Mas se eu for caminhar por lugares escuros,
Tudo que desejo é que ninguém venha comigo.
Pois a solidão do Luar deve ser só minha.
E se eu me perder, não terá ninguém para achar uma rima.

Correntes estão sendo quebradas
E celas abertas
Não criarei mais chaves
Para sentinelas.
Pois já sei me vigiar
E a mim não precisará policiar.

Sairei sem levar nada,
Porque tudo tem de se colher no jardim,
E colheitas ruins eu sei que hão de vir.
Mas só vou selecionar o que for melhor pra mim.

Morador Do Subsolo

Coisas ditas no silêncio do subsolo ditam que se os ecos forem ouvidos não existirá nada
que seja vívido.
A camada já está feita, e sem ar não há como respirar.
Absorver só de corpo não contempla a alma, e o que vier sem pleito há de virar mucosa.
Assim conserva-se a doença ao invés do remédio.
Agentes serão culpados por plantarem as pragas, mas não serão denunciados.
Serão enunciados sem direito de resposta.
Mas em meio aos ecos não há nem perguntas. Só há certezas.
Que não teimam em serem despejadas com alguns goles de cerveja.

O som do silêncio é insuportável para aquele que não se escuta,
E abrange com escândalo para assim se ver sem prejúria:
Os ecos expandem-se e a confusão se adapta a vida.
Ao ser jogado ao relento da solidão, já não quer mais ver ordem.
Já não há como descobrir um meio de fechar as suas feridas;
O coração já é vão, e nem sangue mais corre por essas feridas.
Por que perder tempo com tal ignomínia?

O subsolo não tem estruturas como as do solo.
Ideias são luzes, mas não postes oratórios.
Tendo em vista o meio de se chegar ao notório,
A ciência especula e tenta explicar o anti vexatório:
Os ouvidos destampados denuncia quem quis ser mais que o relógio,
Que monopolizou e deixou de contar cada centésimo.
E então assim declarou que cada segundo é um dia,
Que se você o perder de vista,
Não há motivo pra continuar com a sina.
Melhor ir ouvir aquelas coisas não ditas.