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Mudanças no Blog

Agora por eu ter arrumado uma câmera fotográfica, eu começarei a fazer postagens multimídia de minha autoria, então por isso meu blog em breve mudará de cara e até de nome. Vou manter meus textos e poesias que já postei, e vou produzir ainda mais. Outra coisa que tenho me sentindo muito estimulado a fazer é cobrir eventos artísticos, literários, sociais e produzir material para fazer projetos sócio-culturais. Tenho em mente criar curtas e possivelmente até um canal pessoal no Youtube.

Em breve mais novidades.

Ouvindo o Ego

Ressoa pelos caminhos da alma
Uma voz que vem de dentro,
Em que suas palavras não saem em alto tom
Que mesmo assim determinam
o seu bom tom.

Sua métrica não encontra rimas
Só segue sinas que podem te pôr em várias vidas,
Sem precisar vivê-las.
Num abstrato que é moldurado com laços
e pintado com sangue.

Tal voz suplica e insiste ser criadora da vida,
Mas prefiro enxergar só o que há na vida.
Sonhar acordado dá sono e deixa cansado,
E dormir sem sonhos é acordar todo dia exausto

Ser amigo da sua sombra
É ser iluminado pelo brilho da grandeza própria,
Que constrói edifícios que não são derrubados
Nem pela martirizante vontade própria;
É prezar acima de tudo
A transformação da vida numa prosa
Que te identifica
Ante vozes inócuas.

Personalidade Indulgente

Conheci demasiadamente a tristeza
Pondo assim a felicidade do avesso.
Cantei e me apaixonei pelo silêncio,
E esse me pôs na minha maneira de existir.

Me mantenho calado porque sou um abado,
E falo apenas quando eu sei sobre a sentença
Então não me intervenha
Se o que eu mostrar
For a penitência.

Se ainda vivo
Não penso em morte,
Credito minha existência a sorte.
Mas mesmo assim não sou supersticioso.
Conheci deuses e suas fascinantes ideologias
Mas a letargia
Me deixou sem essa perspectiva,
Porque abaixo deles o que mais vejo é agonia.

Por conhecimento acabei almadiçoado
Porque eu posso perceber quando estou errado.
Percebi em mim uma aura indomável:
Um saber do ser enjaulado
Do animal que late quando ameaçado
E chora quando machucado
E depois morde o cadeado.

Mas fora dessa alegoria
Ainda há um sistema que respira
E inspira
Em que o vento certo me reanima para continuar tendo em vista
Que minha vida não seja resultado só de uma vigília.

Dopamina

Excesso de realidade entorpece
Te faz inerte
De buscar aquilo que te fortalece.
Conspirar contra a teoria
É o que não transmuta
Aquilo que não muda

O espaço é tridimensional
E por isso até as verdades podem ter outro ângulo.
Olhe junto a consciência
De que se sabe onde caminha
Mas não se esqueça de tapar suas narinas
Para não ficar maquinado de uma alta dose de dopamina
Que veio inserida pela dinastia
Que prega a defesa da beleza
Ante um disparate de incertezas
Que mistificam a essência
De uma realidade intensa
Jogando para debaixo da terra
Sua verdadeira vivência.

Depois da realidade está o abstrato
Onde a vida é um outro retrato
Que pode ser pintado, moldurado
Com seus próprios traços.
E se o ultraje te descaminha neste espaço,
Ande descalço para sentir o calor do asfalto
Para descobrir onde foi aprisionado o seu pássaro.
Ele alçará voo e te levantará
Acima daquilo que quer te deturpar.

Construção de um Eu

Sou um iceberg em um mar gelado
Que espera por uma nova mudança climática.
Sou aquele que vê tudo com a mão no queixo.
Sou o indiferente que não sabe se insinuar,
Porque sempre quero estar com a sinceridade.

Esta que sempre é vendida por aquele que dá mais,
porém, felizmente, ninguém conhece minha moeda
Já que minhas palavras não tem preço,
E clara é minha ata

Nunca vou vender um pedaço de mim à ninguém,
Nem àqueles que gosto
Porque eu sou apenas de mim…
Mas nem a mim eu quero.

Já tentei fugir para as mais longínquas montanhas
Onde apenas o vento bate,
Mas fui expulso de lá por minha necessidade humana
Que ainda não aprendi a lidar.

Pedra de Selva

Vida que corre a milhão

Te faz escolher uma direção

Que pode ser a linha reta

Ou se aventurar na contramão

Onde vários batem de frente

E seguem outra direção

Que levam a túneis sem iluminação

E o isqueiro vira sua visão

 

Na calçada caminho sentindo o chão

E a cada buraco que flagro

Eu não tento nem pôr tampão

Pelo motivo disso ser em vão

Pular-te-ei

Ou cairei na escuridão do calçamento

Felizmente ainda sou humano

 

Sob o sol escaldante do meio dia

Na São Paulo que tem o coração de pedra

Sigo observando as faces que não demonstram empatia

Nem por elas mesmo

Ou para quem lhes dá bom dia

 

Esse vício de ser frio

À mim não contagia

Porque o dia está lindo

E meu rumo é partir

 

Viajante de pensamentos mirabolantes

Eu não tenho um lugar

Estou onde vida é o que há

 

Aqui fora eu ando protegido não com ilusão

Apenas com meu instinto de rua apurado

 

Minha felicidade não se encontra em dizer que tem

Um monte de gente ao lado sorrindo

Da vaidade que fabrica o desdém

 

Como veículos na avenida

Meus pensamentos encontrarão um lar 

Ou harém 

Que brotarão ideais

Porque sozinho é onde o pensamento se faz

 

Transeunte de ruas vazias

Observo as aparências que ditam os dias

“Tenha mais do que tem,

E menos do que precisa”

 

Mas viro a esquerda e sigo caminhando

Com meus próprios passos

Cigarro

 

Iluminado pela brasa do cigarro

Vou organizando os fatos

Que aconteceram

E, principalmente,

Os que deixaram de acontecer

 

A fumaça some no ar

E a cada tragada

O cigarro fica cada vez menor.

Vida vivida

Vida perdida

Porém esclarecida.

 

O cinzeiro está vazio

Aguardando a bituca que cairá

E semeará essas palavras.

Jaz em mim uma vontade universal

Só que sou uma pessoa

E à mim não caberá voltar

 

O cigarro que fumei já se foi.

Só resta a mim agora descartar o filtro,

E o placebo já age em meu organismo.

E a cada segundo continuo a existir

Tragando o meu espírito

E soltando sua fumaça no ar

No ambiente onde nem todos fumam.